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27.6.12

Quem dera ser poeta !


Quem dera se o que eu escrevesse tornasse realidade. Quem dera eu escrever como um poeta de verdade. Quem dera se os poetas não precisassem sofrer as vezes. Quem dera se os poetas não tivessem tantos problemas com amor. Quem dera um poeta ser feliz como nas histórias. Quem dera se o poeta conhecesse seus próprios personagens pessoalmente. Quem dera um dia poder entrar na história que criei. Quem dera não precisar sofrer por um amor proibido. 
Quem dera se não existisse preconceito. Quem dera se não existisse ódio. 
Quem dera se não existisse inveja. Quem dera se não existisse ciúmes. Quem dera se não existisse morte. Quem dera se não existisse mentira. Quem dera se não existisse o mal. Quem dera se não existisse dor. Quem dera se a vida real fosse as mil maravilhas. Quem dera se o conto de fadas existisse. Quem dera se a vida não fosse tão curta. Quem dera se a vida fosse mais fácil. Quem dera se nada fosse rápido e passageiro. Quem dera se as pessoas amassem umas as outras verdadeiramente. Quem dera se o feliz pra sempre existisse. Quem dera se minha vida fosse apenas um poema. Quem dera ser um poeta completamente feliz. Quem dera se eu fosse poeta.

20.7.11

A menina - poesia.




Dizem que surgiu do nada, igualzinho a chuva de verão. Quem é que ia prever uma coisa dessas? Dizem que apareceu ainda criança de colo, no meio do dia. Pisca um olho, a praia deserta. Pisca o outro, um bebê rastejando na areia, brincando com conchinhas. Dizem que foi criada por uma velhinha de cabelos grisalhos e longos. Dizem também que foi adotada por um casal que tinha doze filhos. Outros falam ainda que cresceu sozinha, na praia. Eu não sei. Mas o que importa é que a menina cresceu... Dizem que não saía do mar. Nadava de fazer inveja ao peixe mais nadador. Mergulhava tão fundo sem prender a respiração. Disseram logo que era filha do mar. Dizem que também corria depressa. Ninguém pegava a menina na carreira. Os cabelos loirinhos esfarelando-se no ar, apenas um vultinho corredor lá longe. Disseram então que era filha do vento. Dizem que era capaz de transformar até o coração mais duro numa maria-mole. Dizem que encantava a toda gente. A menina era mais doce do que sorvete. Dizem que tinha os olhos azuis que nem céu de janeiro. E a pele assim bronzeada, de tanto tomar sol. Juntava isso às faces rosadinhas e dá-lhe beleza de fazer inveja às meninas bonitas da capital. Dizem também que olho azul não tinha, não. Muito menos cabelo loiro, veja só! Muitos acham que a menina era mesmo bem morena; ou talvez ruiva, me fugiu à memória. Dizem que quase não falava. Vivia num significativo silêncio, tímida, delicada. Dizem outras línguas que a menina era muito tagarela, não parava de falar. Eu não sei. O certo é que não tinham certeza mesmo de quase nada; muito pouco de fato se sabia sobre aquela menina. Mas em uma coisa todo mundo concordava: a menina era a própria poesia.
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