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1.8.12

Fico eu

Enquanto teus corpos se entrelaçam, Enquanto sentem um o calor do outro, Enquanto dançam teus doces lábios… Fico eu a te imaginar. Enquanto tuas vidas prosseguem, Enquanto os vinhos lhes embebedam, Enquanto os banquetes lhes saciam… Fico eu a te desejar. Enquanto os buquês de felicidade chegam, Enquanto os bombons de amor são comidos, E o tempo quase cessa pra vocês… Fico eu a lhes invejar. Enquanto minha vida gira em sentido contrário, Enquanto não nos tropeçamos nas sarjetas, Enquanto não brindamos chá… Fico eu a te amar. Fico eu a te imaginar, desejar, invejar e amar. Fico eu, fica tu, ficamos nós…separados, Enquanto a vida vai passando no nosso meio, E como um rio ela corre muito rápida! Fico eu sem nadar, esperando por ti nas margens dela. Seria eu feliz sem tê-la dentro de mim? O amor nos confunde mais que teorias físicas. Meu corpo já não aguenta a pressão sobre os ombros, Enquanto tu é feliz,fico eu a te carregar. Enquanto sacia tua fome e os desejos de tua carne, Perco as horas sem ouvir um alarme, Não há sequer um alarde quando há felicidade Enquanto tu vive como gente,fico eu a vegetar amor. Se há paz em ti, ela é minha, devolva-me. Foi tão sem educação que entrou sem pedir, E não sairá se eu não permitir. Minha paz não será moeda de troca, Enquanto tu me rouba, fico eu a te prender. Enquanto penso eu que estás na solidão, Tu amas qualquer bonachão… Ele te faz feliz,como pensas que sempre quis, Mas posso mais, posso além…mas tu me detém. Enquanto se engana,fico eu a me decepcionar. És a vilã do meu conto, Em tuas frases nunca há ponto, só mistério. Não guilhotino esse amor, seria suicídio. Te prendo dentro de mim e sou prisioneiro de ti. Enquanto teus olhos atam-me pouco a pouco. Fico eu como um alucinado, de longe, a te amar.


15.2.11

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Dai-me por favor somente aquilo que for simples. Do que é complexo eu já cansei. Dai-me por favor o canto do sabiá livre na mata. Dai-me por favor a liberdade dos sabiás engaiolados - o que é mesmo que o homem tem contra os seres livres?-. Dai-me por favor a delícia daquele sorriso, dai-me por favor felicidade pra mais de mês. Dai-me por favor menos conhecimento, eu quero infinitamente saber menos e sentir mais. Aliás, dai-me, por favor, mais conhecimento dos sentimentos, das emoções, das sensações. Dai-me sinestesia! Dai-me por favor a sabedoria daqueles que vivem muito. Mas antes, dai-me a graça de viver bem. Dai-me muitos dias de Natal, mais que isso, dai-me a capacidade de enxergar o Natal de cada dia. Dai-me também a maciez da chuva quando toca o chão, aquela maciez de quem toca corações a cada pingo. Dai-me sensibilidade. Dai-me viver menos prosa. Oh, por favor, dai-me viver poesia.

26.1.11

Paz


A menina dos cabelos ondulados, do corpo esguio e da mente cheia de imaginação. Sensível, ela preferia engolir uns sapos a ser sincera demais e magoar os outros. Ela tinha o poder de acreditar que poderia fazer o melhor para si mesma e para as pessoas ao seu redor. Afinal, seus sonhos a faziam alguém ainda melhor, mais do que a sua bondade natural. O mundo em ruínas, a violência, a maldade. Tudo isso a magoava, da forma mais profunda. Por querer tanto que tudo fosse diferente, a realidade acabava por magoá-la. E ela se sentia infeliz por isso. A doce menina vivia a acreditar que sua ideias poderiam mudar o mundo. Ah, se ao menos lhe dessem uma oportunidade! Ela poderia mostrar a verdadeira razão de estar aqui, o porquê da sua presença. Afinal, ela se chamava felicidade, mas também atendia por outro nome: paz.
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